Arquivo da categoria: crítica

para a coisa continuar florescendo…

Enrique Diaz
Facebook – 27 de julho de 2010

A Cia dos Atores à beira da falência !!!

Sem meios para arcar com os gastos de manutenção, limpeza, secretariado, contador e etc, a Cia dos Atores encerra no fim de agosto as atividades de apresentação de espetáculos na sede na Lapa, escadaria do Selarón. Pena, menos um espaço para trabalhos de pesquisa na cidade.

Leia a matéria no jornal O Globo/Segundo Caderno – www.aarffsa.com.br

Enrique Diaz
Facebook – 03 de agosto de 2010

queridíssimos amigos, obrigado pela avalanche de carinho, apoio,
sinais de amor e solidariedade. É muito bom quando a gente lembra de quem a gente é contemporâneo, e de que a gente tá aqui durante esse tempo e que é com essa gente que a gente encontra, com essa gente que a gente trabalha, troca, aprende, etc… Estamos agora com várias possibilidades em relação à venda do material, estamos com algumas possibilidades de ajuda (que podem eventualmente nos permitir continuar com o espaço funcionando, vamos ver se alguma coisa se concretiza…) e espe…cialmente, estamos achando que podemos criar uma conversa envolvendo instâncias que tem a ver com a situação de quem trabalha em teatro no Rio, em especial o trabalho de companhias, tentar organizar encontros, discussões, ações, etc. A repercussão aqui no FB e tb por e-mail e outras formas de conexão foi essencial pra inclusive a gente ter a matéria no jornal e torço pra que isso prossiga, que a questão não seja a Cia dos Atores, mas o sistema de fomento à produção cultural e a maneira que a cidade pode olhar para esse trabalho e esse trabalho devolver à cidade coisas que ela nem imagina porque ainda não foram inventadas !!! A nossa função é ser delirante e ser responsável ao mesmo tempo, ser dionisíaco e ser empresário, ser travesti e homem de papo reto. Não tem saída, tem que ter capacidade de trânsito, não ficar no reclamismo e procurar os aliados (desculpem, me sinto meio messiânico falando assim, mas de vez em quando é bom, expurga…) para a coisa continuar florescendo. Em suma, vem mais coisa por aí, tem que vir. Continamos correndo atrás da solução do problema concreto, estamos zero de caixa, mas temos muitos amigos ! Obrigado.

www.ciadosatores.com.br


vejabrasil.abril.com.br/devassa


www.agentesevenoteatro.com.br/Cia.dosAtores


coisasdeteatro.blogspot.com

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Arquivado em Cia dos Atores, crítica, entrevista, facebook

De volta ao teatro – In On It por Rubens Ewald Filho

O surpreendente In On It

Estava com saudades de ir ao teatro. Infelizmente nos meses de dezembro e janeiro, a temporada esfria e as estreias importantes ou badaladas não acontecem. Mas também não sou crítico da área e assisto apenas o que me interessa. Por isso, cometo falhas.

Fiquei muito feliz de assistir no domingo, no Teatro Faap, à montagem carioca deste In on It, texto que apresenta no Brasil o dramaturgo canadense Daniel MacIvor. No que parece, é um texto que ele desenvolveu com um grupo de teatro que dirigia, chamado Da Da Câmera.

É basicamente um exercício teatral, muito bem desenvolvido com a ajuda de um mestre, Enrique Diaz. Ele é irmão de Chico Diaz, diretor da excelente Companhia dos Atores, que hoje é o primeiro time do teatro carioca, que ajuda a tornar o espetáculo criativo, divertido, muito engraçado, além de humano e bem sacado.

Na verdade, ele pisa em terreno perigoso quando custa a começar, deixa os atores falarem com a plateia, sempre de forma simpática, sem a altivez e prepotência de alguns.  Inclusive, faz um falso final e a plateia aplaude, mas a peça ainda não acabou e eles brincam com isso.

Poderia haver uma reação negativa – Puxa, ainda não acabou! – mas isso não acontece. Pela habilidade da direção e nem tanto do texto (mais um jogo teatral, onde dois atores revezam papéis, com duas cadeiras e nada mais. Como aliás está em moda, não sei se por economia ou estilo.

Tudo é muito preciso, mas não funcionaria se não fosse pelo trabalho dos atores, que sem qualquer recurso de maquiagem, ou mesmo de figurino (no máximo ocorre a troca de um casaco) fazem vários personagens (inclusive feminino e gay).

Os dois são excelentes e só se lamenta que estejam radicados mais no Rio e não os vejamos tanto aqui em São Paulo.

Ambos mais conhecidos pelo cinema: Fernando Eiras por seu trabalho com Júlio Bressane em Filme de Amor, no qual ele deu uma nova vida ao trabalho do muito discutível cineasta, e Emílio de Mello, de Cazuza Amores Possíveis.

Conheço Fernando há muitos anos, desde quando escrevi a novela Gina,na Globo. Sempre gostei dele e fiquei super feliz de vê-lo em cena, tão seguro, tão brilhante. É um show dos dois atores, num espetáculo de qualidade que recomendo com alegria.

8 fevereiro 2010

Post tirado de Blog do Rubens Ewald Filho – http://blogs.r7.com/rubens-ewald-filho

Endereço para o post: http://blogs.r7.com/rubens-ewald-filho/2010/02/08/de-volta-ao-teatro-in-on-it/

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Arquivado em crítica, Pré-Estréia

A empatia entre o criador e as suas criaturas por Mariangela Alves de Lima

In On It, do canadense Daniel MacIvor, mostra com delicadeza como todas as identidades se enlaçam de modo inextrincável

MARIANGELA ALVES DE LIMA, Crítica, ESPECIAL PARA O ESTADO


Para aprendizes da língua inglesa, as preposições e os pronomes são uma floresta de enganos. Basta que uma dessas minúsculas partículas seja convocada por erro a reger um verbo comuníssimo ou a substituir um nome e desmoronam, incompreensíveis, laboriosos comunicados ou diálogos cheios de boas intenções. Não é preciso, contudo, aterrorizar-se com o título da peça do canadense Daniel MacIvor, preservado pela tradução de Enrique Diaz. Sob a lista de três palavrinhas estrangeiras abriga-se um tipo de proposta teatral que nada tem de obscura. O lugar onde uma coisa está, o tempo em se situam os agentes de uma narrativa e a identidade de quem faz isto ou aquilo são, na perspectiva da arte, bem mais do que meios para a transmissão de uma mensagem. São peças do jogo entre a arte e o público e In on it assume como valor de face a função lúdica de todo o teatro. Em vez da sintaxe e serviço de uma única narrativa, a peça é uma trama de planos ficcionais, cujo entrelaçamento solicita argúcia dos espectadores. Mas isso não é tudo, uma vez que o raciocínio poderia perfeitamente ser instigado por qualquer enigma matemático. O estado de alerta é, neste caso, preparação necessária para a liberdade de um jogo, cuja ????? repousa em tese sobre a cumplicidade da plateia. Ninguém se engana porque dois atores brincam com a plateia e, desde o início, avisam que se trata de ficção.

A criação de personagens e narrativas por outras personagens que se apresentam, por sua vez, como se fossem interlocutores “reais” é um dos muitos recursos de aproximação e recuo com que o teatro reafirma seu poder de se desvencilhar do real sem que seja preciso arrastar o espectador para o plano imaginário, com o bombardeio de efeitos especiais ou com o ópio do sentimentalismo exacerbado. Em In on it, esse atributo se exibe com uma clareza solar. Dois atores-personagens representam episódios de suas próprias vidas em tempos diferentes, enquanto articulam e representam outra narrativa e outras personagens. Mutações das personagens, das ações e das épocas dispensam o aparato ilusionista para se tornarem críveis. Basta, em primeiro lugar, que o ator se transforme em “outro”. Isso, porém, não é tudo.

Leia mais – http://migre.me/iXUj

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