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Novo Destino: São Paulo.

Chegou o momento tão esperado – depois de críticas nos jornais paulistas, depois do contato com tantos internautas de lá, lá vamos nós.

Os preparativos já começaram, mas a viagem de verdade é em janeiro. Para os que aguardam há muito tempo, dias 12 e 13 são os primeiros ensaios abertos, com estreia oficial para o público no dia 15, tudo no Teatro FAAP, em Higienópolis. A temporada está prevista até o fim de março, não percam!

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Crítica – FIT São José do Rio Preto

E saiu no site do FIT São José do Rio Preto as impressões do “Leitor Crítico” Luiz Marfuz, que faz parte do Painel Crítico do Festival, uma iniciativa de integração entre público e espetáculo.

FIT

In On It / Enrique Diaz, Fernando Eiras e Emílio de Mello – RJ

É de tirar o chão debaixo dos pés!

Quando e se pensa que quase tudo já feito na região transversal entre realidade e representação, desde quando Pirandello invadiu as fronteiras do metateatro para reivindicar a supremacia da personagem sobre a pessoa e, conseqüentemente, sobre o ator, eis que surge uma peça e um espetáculo em que todas essas camadas se interpõem criativamente, como feixe de fios desencapados; com isso, leva o espectador ao encantamento do jogo, transformando-o num homo ludens, sem estratégias de apelo fácil.

Estamos falando de  In on it, do dramaturgo Daniel Macivor, atração do Teatro do Sesc,  através do talento excepcional – e não-presunçoso – dos atores Emílio de Mello  e Enrique Diaz (também diretor, agora, em substituição temporária de  Fernando Eiras). A peça é um jogo de armar, de montar e desmontar texto, ensaio, ator, personagem, pessoa, público e o que mais vier. Com uma diferença: ao invés de simplesmente desnudar a representação  aos olhos do espectador, o espetáculo, tal como posto, sugere aos menos desavisados que é hora de desconfiar da própria representação em si.

Atuando em tramas-eixo que se enrolam como serpentes –  dois amantes, dois atores, vários personagens de uma peça dentro da peça, um ensaio, uma apresentação em tempo real e por aí vai – o espetáculo risca no chão  do palco precisas marcações de luz e espaço, que dialogam com a dinâmica e ágil força de movimentação dos intérpretes.  Ainda assim, ficamos a pensar, a cada momento, se o que está ali é o drama dos atores, das personagens ou daqueles dois homens, no palco, jogando com a nossa enraizada forma aristotélica de lidar com a recepção.

Os engenhos da trama são tão bem urdidos, que o nem mesmo o público, já dentro do jogo, consegue determinar bem o final. Há horas em que ele acha que sim e aplaude;  mas trata-se de um falso desfecho para zombar das formas recorrentes e reconhecidas da maioria das peças que sabem fisgar o público ao final. Então, o espectador, já espertinho diante do jogo, ou melhor, no jogo mas desconfiando dele, só vai mesmo aplaudir o encerramento do espetáculo, mais tarde,  quando, no plano alto do palco, ainda sob uma atmosfera cênica, os atores sugerem dizer: acabou. Desta vez, o público acerta e faz as pazes com o palco.

Não que estivesse se sentindo enganado; e, se sim, até mesmo gostando disto. É que  o jogo teatral  é tão bem engendrado pelo desempenho da dupla, que o espectador vai “aprendendo” a entrar e sair de cada trama, numa identificação às avessas e longe da projeção mimética, acompanhando o fluxo súbito de emoções e risos, nutrido pelo talento dos atores. Aplaude-se e se  ri, em muitos momentos, das tiradas inventivas do texto e de falas improvisadas, mas principalmente, como estas são enunciadas no palco.

Este tipo de identificação que o espetáculo  proporciona é incomum.  Porque mesmo que nos esqueçamos, por exemplo, das  histórias contadas numa das vias da peça, nunca perdemos o fio do prumo da interpretação do atores, nem o sentido do jogo. Eles  são a nossa  chave-mestra. E qualquer porta que seja aberta,  a gente se sente à vontade para entrar. Com luz geométrica e eficaz, a cena se desenvolve com poucos elementos, em que duas cadeiras e um casaco perpassam todas as tramas, definindo ambientes e atmosferas pela rápida instalação dos atores, que passam de um plano a outro num vapt-vupt de poder eficaz.

No fundo no fundo, com In on it é possível ainda transgredir dramaturgia e encenação, sem que para isso precise abrigar-se numa rubrica que a legitime: metateatro, pós-dramático, não-dramático ou seja lá o que for.  O que vale é que estão ali em completa comunicação  com o público – que pode até mesmo tomar a difícil decisão de caminhar por uma das vias de acesso ao espetáculo –  dois atores em pleno domínio de sua função, para assumir diante do espectador uma aparente simplicidade na forma de atuar, em meio a dinâmicas de rupturas tão complexas.

“Enfins” (como diz um dos atores-personagens-jogadores), In  on it é daquelas experiências artísticas inesquecíveis:  dois atores como ponteiros de relógio, no meio de um círculo, mas que se recusam a ficar dentro dele, pois de lá não se pode ver o todo. Por isso, entram e saem do círculo fechado da representação  – projetado simbolicamente no espaço retangular  do palco – sem nunca jogar o toalha. Podem até jogar o casaco no chão (e o fazem muitas vezes), mas para fazer o jogo continuar. E atores que jogam como estes dois fazem com que “as coisas simplesmente aconteçam” e, por isso, perdemos o chão debaixo dos pés.

Luiz Marfuz

Leitor crítico FIT – Rio Preto 2009

lumaz@uol.com.br

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Ensaios abertos…

E temporada à vista: ensaios-abertos-inonit1

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IN ON IT
Ensaios Abertos
Sábado 21 e Domingo 22, às 20h
Terça 24 às 18h
Qua 25 às 19h30

Estréia
Dia 27 de março

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