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In On It re- estreia no Teatro Eva Herz dia 07 de maio.


MILES: Pra quem você contou?


RAY: Pra ninguém. Só pra você.


MILES: Você contou pra mim primeiro? Por que você contou pra mim primeiro? Não vem contar essas coisas pra mim primeiro, não. Eu não sou bom nisso. Não me conta essas coisas primeiro, tá?


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Sobre a temporada saiba mais no site – www.teatroevaherz.com.br

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Elegantes e Refinados

Almanaque Virtual
Há algum tempo foi publicada uma ótima crítica pelo Almanaque Virtual. A autoria é de Herbert Bastos, que utiliza-se de bons adjetivos para descrever a experiência de In On It. Confira só:
Elegância e refinamento a serviço de um texto
Por Herbert Bastos

Merecidamente, o espetáculo IN ON IT, que pela primeira vez está em cartaz no Brasil, escrito pelo roteirista, diretor de teatro e cinema, Daniel Macivor, teve sua temporada prorrogada até 19 de Julho e re-estreia prevista para a primeira semana de Agosto no Teatro Maria Clara Machado. A peça não é algo que pode ser considerado uma metalinguagem, uso de determinada linguagem para falar de si mesma, mesmo a encenação fazendo alusão a um provável ensaio geral de alguns esquetes que entrariam em cartaz num determinado teatro.

A peça vai muito além do famoso “metateatro”. Em determinados momentos se tem a impressão de se estar diante de uma passagem de roteiro cinematográfico, o momento em que dois diretores estão discutindo como cada personagem deve representar na cena que será gravada. Direção de Enrique Diaz nos faz justamente pensar nessa dubiedade cênica, que de fato é algo muito enriquecedor para a imaginação do espectador. IN ON IT é uma das poucas peças teatrais em que o trabalho do ator é valorizado durante toda a apresentação.

Tudo colabora para o destaque maior do espetáculo seja a representação cênica dos atores Fernando Eiras e Emílio Mello. A simplicidade do cenário de Domingos de Alcântara, composto por somente duas cadeiras, juntamente da iluminação de Maneco Quinderé, que é sempre encantadora, são dois elementos que só ajudam na valorização do trabalho dos artistas em cena. O famoso “Less is more” se aplica perfeitamente a direção de Enrique Diaz nessa montagem brasileira de IN ON IT.

Embora a trama indique que tudo gira em torno da vida de um casal de homens que vivem juntos, discorrer sobre o que de fato acontece em cena é uma tarefa difícil porque o espetáculo é uma “espécie” de obra aberta,e como tal: cada espectador acaba tirando sua própria conclusão sobre o que acabou de assistir. Diferentemente de espetáculos em que muitos saem com a mesma compreensão do que lhe foi apresentado e com a mesma cara blasé que estava antes de assistir determinada peça. IN ON IT é daquele tipo de peça que, com delicadeza, emociona e faz rir do que é mostrado em cena. Daquelas que faz a gente, espectador, acreditar que não existe arte mais completa que o teatro. Assista!

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Nota da Tradutora (2)

N. da T.

Segue o diálogo do blog com a tradutora Daniele Avila que aborda como tema, nesta segunda parte, o Texto e a Tradução.

O TEXTO

O contexto do teatro no Rio de Janeiro parece valorizar a ostentação. Grandes astros, figurinos dignos de passarelas, exposição de “habilidades”. O teatro carioca parece estar orgulhoso por ter atingido uma ideia de maioridade que, no final das contas, diz mais respeito às produções do que à criação artística propriamente dita.

Mas luxo e refinamento não são sinônimos. E nem sempre andam juntos. In on it, pela proposta mesma da dramaturgia, não funcionaria na chave do luxo. Sua estrutura é da ordem da carpintaria, não da superprodução. A teatralidade da peça parece estar justamente na redução dos seus pressupostos ao mínimo necessário. É preciso que cada um faça o seu trabalho com muita atenção, inclusive o público. O texto de Daniel MacIvor não vem mastigado, ele confia no espectador: talvez esse seja um grande diferencial. Ele não trata o espectador como pouco inteligente e muito menos como preguiçoso.

In on it é uma peça que conta uma história. Isso é comum no teatro carioca. Mas não é só isso. Essa história é contada por desvios, por parênteses, por fracassos. E a própria questão de contar uma história ou de como fazer isso é problematizada. A construção das cenas e a criação dos personagens são colocadas à prova enquanto a história é contada. Os registros de atuação que os atores escolhem para cada personagem são tão importantes quanto os personagens em si, e os comentários feitos às cenas são tão relevantes quanto os diálogos que compõem as cenas. O que não significa que esta seja uma peça para “iniciados”. O público não precisa ter uma preparação, pelo contrário, é até bom que vá sem saber o que vai ver. O texto não dá o manual de instruções, mas as ferramentas estão todas lá.

A TRADUÇÃO

O texto de In on it é todo conciso, é construído com precisão. O inglês é uma língua econômica – um monossílabo dá conta de vários sentidos. O português não é assim. Então eu diria que a dificuldade de traduzir In on it está na tentativa de manter o ritmo interno que a peça tem na língua original, é dar conta de dizer o que se tem que dizer sem prolongar as frases, como seria natural fazer na língua portuguesa.

Outra coisa interessante foi tentar entender as sutilezas do autor na diferença de linguagem entre as três realidades distintas que se apresentam na peça. É claro que essa diferença de linguagem deveria se dar mais na cena mesmo, no trabalho dos atores, como o autor indica nas rubricas. Não tem, nas palavras e nas frases, diferenças claras. Mas, na hora de fazer escolhas, a orientação dada pelo autor pra cada plano provocava opções diferentes.

Daniele Avila

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