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In On It re- estreia no Teatro Eva Herz dia 07 de maio.


MILES: Pra quem você contou?


RAY: Pra ninguém. Só pra você.


MILES: Você contou pra mim primeiro? Por que você contou pra mim primeiro? Não vem contar essas coisas pra mim primeiro, não. Eu não sou bom nisso. Não me conta essas coisas primeiro, tá?


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Arquivado em re-estreia, Teatro Eva Herz

Nota da Tradutora (2)

N. da T.

Segue o diálogo do blog com a tradutora Daniele Avila que aborda como tema, nesta segunda parte, o Texto e a Tradução.

O TEXTO

O contexto do teatro no Rio de Janeiro parece valorizar a ostentação. Grandes astros, figurinos dignos de passarelas, exposição de “habilidades”. O teatro carioca parece estar orgulhoso por ter atingido uma ideia de maioridade que, no final das contas, diz mais respeito às produções do que à criação artística propriamente dita.

Mas luxo e refinamento não são sinônimos. E nem sempre andam juntos. In on it, pela proposta mesma da dramaturgia, não funcionaria na chave do luxo. Sua estrutura é da ordem da carpintaria, não da superprodução. A teatralidade da peça parece estar justamente na redução dos seus pressupostos ao mínimo necessário. É preciso que cada um faça o seu trabalho com muita atenção, inclusive o público. O texto de Daniel MacIvor não vem mastigado, ele confia no espectador: talvez esse seja um grande diferencial. Ele não trata o espectador como pouco inteligente e muito menos como preguiçoso.

In on it é uma peça que conta uma história. Isso é comum no teatro carioca. Mas não é só isso. Essa história é contada por desvios, por parênteses, por fracassos. E a própria questão de contar uma história ou de como fazer isso é problematizada. A construção das cenas e a criação dos personagens são colocadas à prova enquanto a história é contada. Os registros de atuação que os atores escolhem para cada personagem são tão importantes quanto os personagens em si, e os comentários feitos às cenas são tão relevantes quanto os diálogos que compõem as cenas. O que não significa que esta seja uma peça para “iniciados”. O público não precisa ter uma preparação, pelo contrário, é até bom que vá sem saber o que vai ver. O texto não dá o manual de instruções, mas as ferramentas estão todas lá.

A TRADUÇÃO

O texto de In on it é todo conciso, é construído com precisão. O inglês é uma língua econômica – um monossílabo dá conta de vários sentidos. O português não é assim. Então eu diria que a dificuldade de traduzir In on it está na tentativa de manter o ritmo interno que a peça tem na língua original, é dar conta de dizer o que se tem que dizer sem prolongar as frases, como seria natural fazer na língua portuguesa.

Outra coisa interessante foi tentar entender as sutilezas do autor na diferença de linguagem entre as três realidades distintas que se apresentam na peça. É claro que essa diferença de linguagem deveria se dar mais na cena mesmo, no trabalho dos atores, como o autor indica nas rubricas. Não tem, nas palavras e nas frases, diferenças claras. Mas, na hora de fazer escolhas, a orientação dada pelo autor pra cada plano provocava opções diferentes.

Daniele Avila

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Nota da Tradutora (1)

N. da T.

Como em qualquer bom texto traduzido para uma língua estrangeira, há coisas que precisam ser ditas sobre esta obra de Daniel MacIvor. E certamente a pessoa mais indicada para o trabalho é a própria tradutora da peça, Daniele Ávila.

Dani, além de fazer esta colaboração para o nosso blog, gerencia seu próprio site de críticas teatrais, onde também escreve sobre outras montagens. Esta primeira parte de nosso diálogo com ela tem como tema o título da peça – e a razão pela qual eeste não foi traduzido.

O TÍTULO

IN ON IT. Em inglês mesmo, parece sugerir uma charada. O título da peça tem algo de incapturável que de certo modo reflete o jogo da dramaturgia de Daniel MacIvor. A trama da peça, uma vez revelada, não se mostra por inteiro, sem lacunas. Aliás, a graça está nas lacunas. E o título original faz essa brincadeira, deixa uma pergunta, um vazio. O “it” é sempre um problema pra traduzir: ou se diz o que ele omite, ou se omite o próprio “it”. Seria preciso achar um título em português que desse a sensação de mistério, de algo faltando. Usar o título original era uma solução: tem algo escondido ali, tanto pra quem fala quanto pra quem não fala inglês.

A expressão “in on alguma coisa” quer dizer estar envolvido, estar por dentro, é quase um “ter culpa no cartório”, mas não chega a tanto. Pode ter uma conotação de ilegal ou, pelo menos, suspeito. Indica uma espécie de envolvimento que sugere uma responsabilidade, uma participação. A dramaturgia guarda isso, esse trunfo, até o fim: não se trata apenas de contar uma história que aconteceu com um personagem, mas de perceber o que move o outro personagem a contar essa história: ele está totalmente “in on it”. Assim, “in on it” é quase um estado, um ponto de partida e uma motivação. Difícil achar um título em português que tivesse tanta carga de significado em tão poucas letras.

Não é tão incomum manter o título original quando se trata de cinema, por exemplo: Pierrot le fou do Godard é Pierrot le fou na França, no Brasil, nos Estados Unidos e em qualquer lugar. Assim como Platoon ou La Dolce Vita. E ninguém se refere a Pulp Fiction como Tempo de violência. Alguns títulos são parte da obra, dão o tom da dinâmica de sua forma. É o caso de In on it.

Daniele Avila

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